Sem a complexidade de um shopping tradicional, mas com lojas-âncora fortes e operação enxuta, o power center virou a resposta natural para cidades médias em crescimento.

Nem todo mercado comporta — ou precisa — de um shopping center tradicional. Entre o comércio de rua disperso e o grande empreendimento fechado de múltiplos pavimentos, existe um modelo intermediário que vem ganhando relevância no Brasil, sobretudo no interior e em cidades de porte médio: o power center.

O que é um power center

O power center é um centro comercial organizado em torno de grandes lojas-âncora — operações de forte poder de atração como supermercados, lojas de material de construção, autopeças, artigos esportivos, moda e pet. Em vez de concentrar tudo sob um único teto com circulação interna climatizada, ele costuma adotar um formato mais horizontal, com acesso facilitado, estacionamento amplo e, em muitos casos, lojas com entrada independente e drive-through.

A lógica é direta: o consumidor vai ao power center com objetivo definido — abastecer, resolver, comprar algo específico — e o formato remove fricção desse percurso. Estaciona perto, entra, resolve, sai. É um varejo de conveniência e propósito, não de passeio.

Por que funciona fora das capitais

Esse formato se encaixa particularmente bem em cidades médias por três razões.

A primeira é de custo e viabilidade. Um power center tem capex e complexidade operacional menores que os de um shopping fechado tradicional, o que viabiliza empreendimentos em praças onde a densidade de consumo não justificaria um mall completo.

A segunda é de comportamento. Em cidades médias, o deslocamento de carro é a norma e o tempo é valorizado. O modelo de acesso rápido e estacionamento farto dialoga melhor com esse cotidiano do que o passeio de fim de semana típico das capitais.

A terceira é de composição. O mix de um power center pode ser calibrado para a vocação econômica local — incorporando âncoras de bricolagem em regiões de construção aquecida, ou de moda e esportes onde há classe média em ascensão. Some-se a isso a possibilidade de integrar serviços que ampliam o fluxo: clínicas, instituições de ensino, equipamentos públicos, praças de alimentação.

Um modelo que organiza o território

Mais do que um ponto de compra, um power center bem planejado funciona como organizador do entorno. Ele concentra serviços que estavam dispersos, gera empregos, atrai investimento para a região e cria um novo vetor de desenvolvimento urbano — frequentemente em áreas que antes eram subutilizadas.

Para o investidor, é um produto de operação mais simples e maturação mais previsível. Para a cidade, é a chegada do varejo organizado sem a espera por um grande shopping que pode nunca vir. É, em muitos casos, o formato certo para o lugar certo — e a prova de que dimensionar bem um empreendimento importa mais do que aplicar o modelo de maior prestígio.